Deficiência de vitamina D tem relação causal com a demência
Estudo australiano identifica relação com a doença, mas adverte que tanto a falta severa quanto a superdosagem prejudicam o cérebro
Dosagem adequada de vitamina D ajuda a prevenir demência, afirma estudo australiano. Imagem: Mente Plural A curva em “U” e o impacto na estrutura cerebral
- Na carência severa: indivíduos com níveis séricos inferiores a 12 ng/ml apresentaram probabilidade 54% maior de desenvolver demência em comparação àqueles situados na faixa de 20 ng/ml (patamar preconizado pelo Institute of Medicine).
- No excesso: a curva de proteção fica estagnada exatamente ao cruzar os 20 ng/ml. A partir desse ponto, concentrações excessivas voltaram a se associar a uma vulnerabilidade maior à demência, embora a escassez crítica continue representando o cenário mais prejudicial.
Essa dinâmica foi corroborada por exames de ressonância magnética.
Tanto a deficiência quanto a hipervitaminose estiveram ligadas a reduções expressivas no volume cerebral total e na espessura das substâncias cinzenta e branca. Na prática neurológica, a diminuição dessas estruturas reflete atrofia cerebral progressiva decorrente da perda de neurônios e conexões sinápticas — o substrato físico do declínio cognitivo.
Mecanismos neurais e a janela de prevenção
Longe de atuar como um nutriente secundário, a vitamina D funciona no organismo como um verdadeiro precursor hormonal. No encéfalo, ela participa ativamente da regulação de vias neuronais fundamentais e da homeostase do cálcio junto ao sistema imune, mecanismo essencial para mitigar a neuroinflamação crônica.
Para a coordenadora da pesquisa, a professora Elina Hyppönen, o achado de um “efeito de limiar” (threshold effect) reforça que o cérebro exige equilíbrio metabólico, e não suplementação desmedida.
Enfim, apesar de os autores do estudo indicarem a necessidade de ensaios complementares para detalhar as alterações na morfologia encefálica, a constatação de uma relação causal abre uma oportunidade clínica concreta: monitorar e corrigir déficits de vitamina D pode se consolidar como uma estratégia acessível e eficaz na prevenção primária de quadros de demência.






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