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São Paulo,30/09/2026

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    Deficiência de vitamina D tem relação causal com a demência

    Estudo australiano identifica relação com a doença, mas adverte que tanto a falta severa quanto a superdosagem prejudicam o cérebro


    Deficiência de vitamina D tem relação causal com a demência Dosagem adequada de vitamina D ajuda a prevenir demência, afirma estudo australiano. Imagem: Mente Plural

    A relação entre nutrição e preservação do sistema nervoso central acaba de ganhar um marco científico relevante. Pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália demonstraram que a deficiência de vitamina D mantém uma relação causal (causa e consequência) direta com o desenvolvimento de demência.

    Analisando quase 300 mil voluntários do banco de dados britânico UK Biobank, com dados publicados no American Journal of Clinical Nutrition, os cientistas chegaram a uma conclusão de forte impacto para a saúde pública: até 17% dos diagnósticos de demência na amostra poderiam ter sido prevenidos caso os indivíduos mantivessem suas taxas de vitamina D dentro dos limites recomendados.

    A curva em “U” e o impacto na estrutura cerebral


    Tanto a deficiência quando o excesso de vitamina D podem prejudicar o cérebro. Imagem: Mente Plural

    O estudo evidencia que a relação entre a vitamina D e a integridade encefálica não é linear, mas sim configurada em uma curva em formato de “U”. Isso significa que o risco cresce de forma acentuada nos dois extremos de concentração:

    • Na carência severa: indivíduos com níveis séricos inferiores a 12 ng/ml apresentaram probabilidade 54% maior de desenvolver demência em comparação àqueles situados na faixa de 20 ng/ml (patamar preconizado pelo Institute of Medicine).

    • No excesso: a curva de proteção fica estagnada exatamente ao cruzar os 20 ng/ml. A partir desse ponto, concentrações excessivas voltaram a se associar a uma vulnerabilidade maior à demência, embora a escassez crítica continue representando o cenário mais prejudicial.

    Essa dinâmica foi corroborada por exames de ressonância magnética. 

    Tanto a deficiência quanto a hipervitaminose estiveram ligadas a reduções expressivas no volume cerebral total e na espessura das substâncias cinzenta e branca. Na prática neurológica, a diminuição dessas estruturas reflete atrofia cerebral progressiva decorrente da perda de neurônios e conexões sinápticas — o substrato físico do declínio cognitivo.

    Mecanismos neurais e a janela de prevenção

    Longe de atuar como um nutriente secundário, a vitamina D funciona no organismo como um verdadeiro precursor hormonal. No encéfalo, ela participa ativamente da regulação de vias neuronais fundamentais e da homeostase do cálcio junto ao sistema imune, mecanismo essencial para mitigar a neuroinflamação crônica.

    Para a coordenadora da pesquisa, a professora Elina Hyppönen, o achado de um “efeito de limiar” (threshold effect) reforça que o cérebro exige equilíbrio metabólico, e não suplementação desmedida. 

    Enfim, apesar de os autores do estudo indicarem a necessidade de ensaios complementares para detalhar as alterações na morfologia encefálica, a constatação de uma relação causal abre uma oportunidade clínica concreta: monitorar e corrigir déficits de vitamina D pode se consolidar como uma estratégia acessível e eficaz na prevenção primária de quadros de demência.





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